sábado, 5 de setembro de 2015

Pedaços de Tempo

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Todo setembro é igual a sempre: potencializa a saudade do meu amado Rio do Sul. Setembro é um mês muito significativo para o povo gaúcho. Mas isso é história e outro dia conto. Hoje a saudade é representada por esta, que é uma das minhas preferidas, desde sempre:



Pedaços de Tempo - Os Mateadores

Me olhou sem dizer nada foi chegando despacito
Tinha um sorriso bonito numa forma de quimera
A mais linda das imagens dentre um quadro de beleza
Que pintou a natureza num dia de primavera

Lembrava campos florindo umedecidos de sereno
Leves brisas e acenos nos seus cabelos trazia
Cores de aurora lazona emoldurando as manhãs
Como alma guardiã do brilho de cada dia

(Fez dos meus olhos crianças num mundo de fantasia
E um rancho pra moradia da minha imaginação
Talvez pedaços de tempo guardados dentro da gente
Onde os olhos certamente são portas do coração, são portas do coração)

Ficou lá dentro de mim juntado pelos olhares
Aqueles mesmos lugares guardados com sentimento
Refeitos nesta visão coisas antigas da vida
Que estavam quase perdidas nos cantos do pensamento

Trouxe de volta este canto para quem já te cantou
E a poesia que ficou foi colorindo a ilusão
Quando a mente está aberta para os velhos momentos
Estes pedaços de tempo se abrigam numa canção
São portas do coração

Música e letra lindas 

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Primavera em prosa e flor

primavera-estação-flores


Primavera
Cecília Meireles



A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Imagens de primavera me encantam. A primavera me encanta. É, junto com o outono a minha escolha de melhor clima. A minha rinite marca presença na primavera - mas não importa. O que importa é a leveza, a brisa leve que balança as flores.  Ela é especial - e ela sabe disso.
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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Nas curvas do caminho...

"Marina é uma adolescente romântica e sonhadora e vem de uma família decadente e tradicional, mas hoje sem dinheiro algum. 
Aos 14 anos ela é linda e tímida, sempre ajudando a mãe a cuidar dos irmãos pequenos. O pai, seu Pedro, muito rígido vive de olho na garota. 
Mas o destino trouxe o amor até sua porta. Marina conheceu Antonio quando ele passava na frente de sua casa de bicicleta e levou um tombo. Ela riu, mas sabia que já estava enfeitiçada por aquele rapaz de olhos negros. 
A família se opôs ao namoro e o sofrimento do casal começou, foram longos meses de tentativa para que o rapaz fosse aceito, mas nada comovia seu Pedro. 
Desesperado Antonio faz uma proposta: 
- Vamos fugir! 
Ela se apavora. 
- Não tenho coragem, meu pai me mata! 
A vida faz com que os dois tomem rumos diferentes e se reencontrem quase trinta anos depois, em circunstâncias totalmente inesperadas."



Assim começa a história escrita pela amiga Ruth Galvão de Andrade. Ainda não o li, confesso, mas está na lista. De qualquer forma, só pela narrativa inicial percebe-se que a hist´ria deve ser muito linda e emocionante.

A fim de ler? Junte-se ao time, aqui o link da Amazon para quem quiser:



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segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Ventania

Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. 
Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, 
sou minha cara contra o vento, a contra-vento, e sou o vento que bate em minha cara.



E assim o mestre se despede. A ventania, aquela da qual nunca conseguiremos fugir, veio e o levou. Há dias ensaio voltar, e nada melhor do que voltar com um pedaço de magia escrito por ele, que hoje se foi: Eduardo Galeano. A ele, minha admiração, sempre. Vai Galeano, mas saiba que as veias da América Latina pulsarão por ti, sempre.

A ventania, do livro O Livro dos Abraços.


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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

domingo, 17 de novembro de 2013

Amo mais que tudo!

Esse amor sem comparação e sem medidas. Se há uma coisa que jamais poderá ser mensurada é o amor de uma mãe. Quando achamos que não conseguimos amar mais que aquilo que sentimos, olhamos para os filhos e o sentimento só faz aumentar e fica parecendo que precisaria duas de nós para caber tanto amor. É relmente inexplicável. Só há uma coisa a dizer, usando as palavras do meu filho: "Te amo infinito e além".


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